Somos todos astronautas?

Ser criança é desejar que o mundo caiba em nossas mãos.

Com a mente sequiosa pelo saber, quando pequenos não impomos limites à nossa imaginação. Em um piscar de olhos, mais rápido que qualquer adulto possa acompanhar, podemos ser quem e o que quisermos, sem vergonha. Nessa época, nos deixamos guiar de tal forma pelos nossos desejos, que anos depois, ao relembramos como éramos, achamos nossos gestos tão absurdos… Mas será que ao abandonarmos o dom de sermos mágicos, heróis, guerreiros impiedosos e fantásticos astronautas, nos tornamos melhores? Crescer e impor limites onde antes só haviam sonhos é imprescindível?

A verdade é que, quando nos consideramos homens e mulheres, despindo-nos por fim de nossa infância, deixamo-nos ser cercados e oprimidos pela realidade. Impactado pelas crises, morte e miséria, recobrimo-nos de cinza e repetimos os lamentos que ecoam pelo ar, dia após dia. Mas não podemos nos esquecer que, escondidos em nossos recantos mais secretos, existe uma luz, um desejo de brincar eternamente que nunca se finda. Alguns, infelizmente, lutam contra este reluzir, o renegam e o recobrem continuamente com a sujeira que reveste suas carapaças exteriores. Outros poucos, bem ou mal, deixam que essa criança se liberte, e nua em pelo, permite que ela ganhe o mundo, dando um colorido inesperado aos seus olhos. São estes que resgatam aquele desejo pueril de ser o astronauta de seus sonhos. Seguem seus instintos e realizam as mais extraordinárias coisas, mesmo quando, no lugar em que vivam, se sintam alienígenas entre os seus próprios iguais.

Assumo que me sinto um desses astronautas de sonhos. Conquistando o desconhecido, andando no silêncio de uma multidão tumultuada, sentindo-me diferente de todos que me rodeiam. Mergulhado em minha própria necessidade de ser feliz e não deixar que meu coração envelheça nunca; com passos lentos deixando que meu olhar se maravilhe com o mundo; o corpo pesado, tomado de desejos, tentando se comunicar com pessoas que simplesmente não conseguem nos entender, fundidas com seus próprios medos.

Você também pode ser um desses. Não está em busca de um novo planeta, onde irá encontrar o inacreditável? Comece desejando um emprego melhor, aquela barriga de causar inveja ou o carinho que você só deseja de longe, se quiser… Depois amplie, abra os braços e ouse sonhar mais que sua vã normalidade permita. Deixe que tudo aquilo que parece inalcançável, a anos-luz de distância, encontre a sua vontade. E quando finalmente alcança-la, ouse novamente, à procura de mais. Deixe que sua vontade de conhecer o infinito nunca se esgote. Volte a cabeça para trás e seja novamente a criança que não tinha vergonha de perguntar o porquê das coisas e criava em instantes histórias mirabolantes. E mais, acreditava nessas histórias!

Se você se declarar um astronauta de sonhos e não o sê-lo, de que adiantará? Ficará perdido, ora transitando em um planeta que sentirá que não é o seu. Outrora, viajará em naves solitárias que passarão por belas paisagens verdejantes… Mas de que adianta se não irá fazer uma parada e descansar? No fundo, seu maior medo é descer e enfrentar o que estiver lhe esperando.

Para que tirar o peso do mundo das suas costas se é só o que lhe resta, não é verdade?

Liberte-se dessa figura opressora que carrega e seja o viajante dos espaços! Galgue os céus, corajoso e aventureiro. Seja confiante e tenha coragem para seguir em frente, procurando transformar em mágica e amor aquilo que deseja.

Enfrentar as sombras e ganhar o seu espaço.  Transformar em fantástico a realidade da vida. E não ficar se perguntando se compensa…

Bom, a este astronauta só resta esperar que esta mensagem ecoando pelo espaço lhe sirva para algo… Enquanto isso, vou continuar a me encantar com a imensidão que me cerca. Quem sabe um dia a gente se encontra?

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