Ainda somos sociais?

Parado, estupefato, sem saber de qual forma agir. A maior verdade é que, nos últimos dias, não sei mais até qual ponto é possível interagir nestas redes sem correr riscos, nesses canais atualmente por mim considerados antissociais em muitos instantes. Perco meu tempo sem nada entender, olhos acompanhando as frases que vagueiam pela tela, pensando estar equivocado, desacreditado em seus reais sentidos. É tudo isso mesmo que vejo? Tantas lamúrias, xingamentos e desavenças, exatamente por termos opiniões diferentes?

Parece que a degradação verbal é a palavra da vez. Tive amigos que desativaram suas redes e criaram novos perfis, a fim de fugir do assédio moral que sua vida se encontrava. Outro conhecido postou uma simples frase em tom de brincadeira e gerou tamanha polêmico por internautas mais inflamados, que a pobre pessoa ficou com receio de reais represálias.

Gente, vamos parar com a brincadeira? O espetáculo estendeu a sua tenda e já deixou anotado que o Facebook e o Twitter são seus endereços de correspondência. Viva o pão e o circo!

Afinal, para que socializar? Alfinetadas e preconceitos vorazes e exacerbados são muito mais divertidos, onde a política – o assunto da pauta recente – havia se tornado o porta-voz. O que deveria aproximar pessoas, está acabando por separá-las ainda mais, dando margem a alguns incautos – e incalculados – senhores abrirem o verbo, pedindo para dividir o país.

Meus caros senhores, vamos ter um pouquinho de consciência. Ultimamente, a rede social se tornou um retrato fiel do pior que temos na sociedade. Agora temos de pensar dez mil vezes antes de digitar algo – e temer as represálias; ver pessoas que utilizam o anonimato da era digital para deleitar-se em seus preconceitos; outros imporem suas opiniões não só governamentais, como religiosas, afirmando com toda a veemência que com ele reside a única verdade.

Que tal pararmos com isso? Ajamos com parcimônia. Afinal, todos estamos sendo observados. A partir do momento em que somos parte do mundo virtual, somos seguidos, considerados bons ou maus exemplos. Foi nosso opção abolirmos o privado e nos tornamos públicos.

Opiniões e discussões a parte, sou do tempo em que religião, time de futebol e política são assuntos que não se discutem. Calma… Não digo que estes três quesitos não devam ser falados em ocasião alguma. Ao contrário, devemos tratá-los com #civilidade, sabendo acatar e compreender as opiniões diversas. Isso é algo que nunca deveria sair do “trend topics”, já que somos parte da mesma nação, povo, multiplicidade diversificada cultural e social. Brasil de muitos povos, culturas e opiniões.

O que eu acho que deva ser feito? Porque não utilizar as facilidades que a internet e suas ferramentas possuem para adquirir conhecimento e não jogarmos o nosso pela janela. Em vez de apontarmos os dedos em acusação, que tal abrirmos as mãos – e os braços – para cumprimentarmos o vizinho ao lado? Trocar agressão por cultura, ofensas por canto, as acusações por poesias, a ignorância por beleza. Podemos utilizar as palavras não para ofender, mas para orientar – e sermos orientados, para conquistar as pessoas e não repeli-las. Em meio as palavras que caem como bombas, para ferir e humilhar, ofereçamos flores. E sejamos sorrisos.

 

 

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