Desenhe a vida com luz

Ultimamente, parece que andamos meio brigados com o tempo. Há dias que não o vemos passar, outros em que ele parece se arrastar diante das horas, onde um dia parece que se transforma em vários. A verdade é que, para nós – e eu me incluo nessa depreciativa lista – sempre temos algo que não julgamos bom o suficiente, um fator, às vezes ínfimo, que nos impede de alcançar a satisfação. Em meio as mazelas, acertos e expectativas, nos desacostumamos a apreciar o passar da vida e aprender com isso. Focados em nossos próprios centros, muitas vezes permanecemos absortos, indiferentes ao rumo dos acontecimentos. Mas não se desesperem: ainda resta esperança. Porque, em meio a esse burburinho, alguns acontecimentos que podem ser banais para os outros, podem tornar-se inesquecíveis para nós.

E é refletindo sobre essa nossa eterna mania de afirmar que “nada está bom” que me vem à mente um desses momentos.  Foi há anos, na cerimônia de casamento do meu irmão. Entremeados de lágrimas da minha mãe, sorrisos, família unida e a emoção da cerimônia, o pastor aconselhou que todos os presentes se tornassem fotógrafos de suas próprias vidas.

E como funcionaria isso? Não é difícil, posso garantir. Basta que, em todos os momentos da sua existência, utilize a sua alma para guardar os momentos felizes na gigantesca e espaçosa memória do coração. Busque sempre pela luz ideal, a espontaneidade que torna aquela cena tão especial… Não temos necessidade alguma de guardar as imagens que não ficaram boas na lembrança. Aproveite apenas os bons ângulos, os instantes que, mesmo que por um momento pareceram comuns, te surpreenderam.

E hoje, refletindo sobre isso, assumo que cada vez mais concordo com isso. A reflexão e a idade me permitem analisar a vida com esse ar examinador e detalhista de um fotógrafo. Olhar várias vezes a mesma situação, avaliar a cena sob os mais diferentes prismas, captar cada nuance que ás vezes deixamos passar, mesmo com os fatos mais corriqueiros.

Não precisamos andar grandes distâncias para ousarmos e irmos além. Podemos começar agora mesmo, com a pessoa sentada ao nosso lado. É só começar a ver as coisas sob uma nova forma, em vez de ficarmos no senso comum e ver apenas o pior de cada situação.

Se receber um abraço ou um beijo, emocione-se e agradeça o afeto. Nem sempre a pessoa quer algo em troca.  Se alguém pergunta, responda. Muitas pessoas ainda se importam, nem sempre querem saber demais… Se um desconhecido lhe ajudar, sinta-se grato. Alguns gestos não são distribuídos afim de garantir a troca de favores.

Por que será que, ultimamente, quando as pessoas nos olham direto nos olhos, nos sentimos incomodados? Seria o medo de ser o centro das lentes alheias?

Muitas vezes a gente insiste em trazer para a nossa vida os maus exemplos adquiridos do cotidiano. E com isso perdemos a fé, a esperança e o amor em nós mesmos. É muito mais fácil mostrarmos a nossa pior versão ao outro, aquela foto 3×4 feiazinha (ninguém sai bem nessa fotos! *-*), do que expor-se em pôsteres coloridos.

Topam mudar comigo o jeito de vocês lidarem com a vida? Vamos destituir de vez o nosso mau humor diante de tudo. Parar de brigar com os dias, o trabalho e o tempo. Ajeite sua câmera e guarde as pessoas na sua vida, transformando-as em fotografias especiais. Opte sempre pelo melhor ângulo, pela pose mais divertida – coloque em destaque aquilo que faz as pessoas – e os momentos – serem especiais. Será bom para todos, e mais ainda para você mesmo. Pode parar de estragar o álbum da vida!  Capte a essência de cada coisa. Uma coisa te garanto: sua vida será bem melhor.

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