Escrita subversiva

Resolvi escrever essa crônica para relatar a minha insatisfação na escrita.

Vocês podem achar esse motivo meio inverossímil, mas é a mais pura verdade. Fiquei vários meses sem usar esse cantinho para falar sobre amores e sentimentos humanos, porque estava dando uma faxina na minha alma.

O relacionamento? Vai bem, obrigado. A vida? Aos trancos e barrancos, estamos indo… Mas fiquei tanto tempo sendo várias coisas para tanta gente que não sabia mais quem eu era. Sentia-me como um artista de pantomima, que após assumir os mais variados papéis, perdeu sua identidade. Quando me fitava no espelho, retirava máscaras e máscaras e máscaras, sem saber definir em qual delas estava o meu rosto original.

Se te falar que já sei quem eu sou, é mentira. Acho que ainda estou nesse processo metamórfico de achar o meu papel principal diante da comédia da humanidade. Sou companheiro, autor, amante, blogueiro, redator, filho e revisor, entre tantas coisas que ocupam a minha vida, brotando através da minha mente.

E juro que não sei mais qual me satisfaz plenamente…

Assumo que, diante de muitos fatos, fico triste em declarar que o escrever se tornou banal. Temos uma safra de autores que pululam aos montes, saindo das cavernas mais obscuras da sociedade. Alguns bons, admito, outros que se julgam no direito de se chamarem de autores quando, na verdade, só tem suas obras publicadas porque pagaram por isso. Sinto que o meio literário, em certas ocasiões, é uma dama velha e alquebrada, que enche o rosto de maquilagem para atender aos seus fãs e, nas escondidas, tem um bando de escravos que trabalham dia e noite, exaustivamente, até a morte… A morte da cultura, dos textos elegantes e verdadeiramente criativos.

Afinal, para que escrevermos textos densos e culturais se 44% da população mal sabe ler… Imagina um vocabulário mais trabalhado? E a tendência é cada vez piorar, graças aos nosso querido sistema político.

Também, eles não servem de base. Vi, esses dias mesmo, em um programa de humor, que muitos não sabiam falar o alfabeto inteiro, ou soletrar EXCESSO! Bem, se um de vocês estiver lendo essa minha pequena nota, excesso é a soma de absurdos que vocês fazem contra esse povo.

Às vezes me pergunto se eu calar a minha voz literária irá adiantar de algo. Não vou conseguir viver num meio onde só as mesmas fórmulas sobrevivem e a tecnologia da internet faz as novas gerações se tornarem cada vez mais obtusas, com suas conversas disléxicas, sem acentuações ou sentenças corretas. Ou onde blogueiros vendem até seus marcadores de páginas e livros que ganham, em vez de propagar a cultura doando aquele exemplar para a biblioteca mais próxima. Até quando o chamado “jeitinho brasileiro” resolve as situações? Não tenho orgulho desse jeito que só tenta passar a perna nas pessoas, sem dar nada em troca. Para mim, traduz-se em “tirar vantagem”.

Bom, vou guardar todo o veneno que destilei em um copo para oferecer a alguém que não goste depois. Ou talvez eu até mesmo beba, e fique livre de todo o mal. Amém.

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