Mínimos Amores

Quem de vocês, em algum momento da vida, sentiu que o Amor havia deixado de existir?
Duvido que alguém se assuma um cético quando o assunto é esse tão valorizado sentimento. Na verdade, quem, entre os que leem este texto, conseguirá mentir em alto e bom som, dizendo que consegue viver sem esta insanidade incontrolável e absurda que o famoso Amor nos traz? Não existe alguém tão corajoso – ou será que tão desiludido com a sua própria e desesperançada vida –  que, em algum instante, não tenha sido tomado por este Pó de Pirlinpinpim – estas partículas de poeira mágica que flutuam em nosso entorno, soltas entre nossos passos, impulsionando nossas ações, provocando fraqueza nas pernas e taquicardia… Nos fazendo de tolos, já que o Amor ideal é aquele que deteriora toda e qualquer atividade racional.
Assumo que sou um desses. Posso gritar em altos brados que sou malvado, matar criaturas fofinhas em meus textos, despir os relacionamentos da maneira mais analítica… Mas o fato é que não sei viver sem Amor. Preciso deste sentimento em minha vida em doses maciças, sem freios, limites ou dosagens. Não me julguem: deixem que eu me embriague de Amor! Apaixonar-me sempre e das mais diferentes formas, esta é a minha válvula motora. E quando afirmo isso, ao contrário do que pensam, não estou dizendo do Amor (esse mesmo, que até agora escrevi em maiúscula), o sentimento poderoso e destruidor que retratam as trágicas histórias. Falo daquele amor há muito esquecido pelos literatos, sem dramas ou gigantescos arroubos.
Isso mesmo, meus caros. Falo do amor que existe para todos. Aquele, escrito em minúscula! O sentimento que faz parte da nossa prática, do dia a dia, daquilo que nos cerca. Este amor aparece quando dou um beijo de bom dia e fito a pessoa amada, deitado na cama, com seu braço jogado sobre o rosto. Quando cumprimento as pessoas na rua e sorrio para aquele senhorzinho carrancudo que está a minha frente no ônibus. Aquele que, quando perco as esperanças, ele me sorri de volta. Este amor que cresce, quando meu afeto é reconhecido. E retribuído, dentro das limitações do outro.
Penso eu que este amor é o sentimento motriz, a força que finca sua raízes em nós. Permitindo que nos doemos ao outro. Sem esperar nada em troca. É esse amor que sinto por cada um de vocês que lê esse texto e se identifica com ele. Este minúsculo amor, que pode parecer simples ou sem graça, que não exige ou cobra. Ensina, aos poucos, a nos doarmos sem reservas. Principalmente a nós mesmos. Quem carrega o amor em si não pensa no que os outros possam fazer em troca, mas sim de que forma cada novo gesto poderá ajudar a pessoa ao seu lado a simplesmente ser feliz..
Acho que está na hora de pararmos com buscas utópicas,sabia? Em vez de buscarmos loucamente o Amor romântico, aquele que devassa a alma, poderíamos escolher vivenciar o sentimento real, já que, cada vez mais ele é necessário para todos nós. Quer um exemplo? Reflitam antes de me responder: sem este amor, no que nos transformaremos? Há quanto tempo você não distribui um gesto de gentileza?
É hora de deixar um pouco de lado o simbólico Eu te amo e trazer à tona também o Obrigado ou o Por favor.  Pode-se também falar sem vergonha o Sinto saudades. Vamos, tente, não tenha medo. Para que deixar o coração guardado se temos um mundo inigualável  para partilhá-lo? Se cada um simplesmente amar como se deve, sem conceitos pré-estabelecidos, conseguiremos acabar com muitas coisas que nos consomem.
Pode pensar com calma. Não precisa me responder agora… Analise tudo isso calmamente, na escuridão do seu quarto ou naquele seu instante de solidão. E antes de tomar qualquer decisão, pergunte-se: o quanto amei hoje?
Será que posso dar o meu melhor? Talvez suas respostas possam lhe surpreender.

5 thoughts on “Mínimos Amores

  1. Lunna Marcela

    Caro Danilo, Bom dia !

    As vezes noto o incomodo de algumas pessoas quando as chamo por “amadas” isso porque na maioria das vezes o amor esta ligado ao contato diário, a troca de confidencias, compartilhamento físico de algo ou alguma coisa, momento ou situação. O amor esta relacionado ao frisson, ao frio na barriga e a descarga de adrenalina. Amam se sentir amados, amam ficar apaixonados como eternos adolescentes, inclusive eu. Ter um olhar gentil, generoso e amoroso a toda criatura é uma das formas essenciais de amor, é o amor que sentimos ao acordar tendo a certeza que em todo o planeta outros semelhantes estão fazendo a mesma coisas, sob o mesmo céu, mesmo sol ou chuva, lutando as mesmas lutas, sentindo as mesmas alegrias ou dores. Acredito que seja este tipo de amor que tu estejas falando, o amor que nos eleva e faz nosso coração ficar do tamanho do maracanã. bjs e obrigada por me lembrar disso hoje.

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