Os últimos dias serão os primeiros

Naquela sexta-feira acordei sem saber o que pensar… O ano estaria se findando ou a humanidade inteira?
Não fiz listas dos melhores (ou piores) feitos do ano; nem ao menos aqueles pedidos ao Bom Velhinho ou as famosas promessas para o ano bom – que não havia cumprido no anterior. Deixei de beber, de pensar e, em certos momentos até de rezar… Odeio as pessoas que procuram o perdão um dia antes da água bater na bunda ou, como dizem os mais diretos: a merda bater no ventilador.

Fui trabalhar, voltei e continuei esperando a grande explosão. Como seria o final-do-mundo com hora marcada? Cairia fogo do céu? O chão se abriria? Ocorreria finalmente a invasão alienígena ou o apocalipse zumbi? Nada, gente… Dia 21 chegou e se foi e, junto com a data que se esvaiu, sobrevivi a mais um fim de mundo…

À noite, na cama, me peguei à pensar no que poderia significar o Fim dos Tempos tão temido: assassinatos, roubos, dor, destruição? Tudo isso nós já temos, oras… No país, os ricos jogam dinheiro pela janela enquanto ao lado muitos morrem de fome. No continente, crianças atiram umas nas outras em locais onde o conhecimento deveria ser vangloriado. No mundo, vemos jovens sendo violentadas por vários homens e jogadas de carros em movimento. Guerra, fome, destruição e dor, muita dor..

Abri os olhos e constatei desesperado que o mundo já havia acabado. Tomei ciência de que somos todos espectros desgastados e desgostosos fechados em nós mesmos, em círculos viciosos que miseravelmente chamamos de rotina. Pegamos a esperança e colocamos sempre à frente do nosso caminho, não como um objeto alcançável, mas algo que está sempre à distância, algo que buscamos a vida toda, sem encontrar.

Teríamos como nos salvar?
Eu buscaria a minha… Por isso, em vez de vivenciar o último dia do calendário maia, decidi começar sempre o primeiro dia da minha vida. Em vez de deixar meu coração se recobrir de tragédia, iria olhar as flores, as pessoas que se dão bom dia, os sorrisos, os gestos compartilhados e as pessoas que nos amam… E a esperança, ao invés de deixa-la sempre diante de mim, ficará debaixo do meu braço, ajudando-me a construir o melhor não só para mim, mas todos a minha volta.

Porque você não faz o mesmo? Feche o seu livro diário de lamentações e comece a implementar em sua vida a Lei do 1º dia…  Vivencie diariamente o primeiro beijo, o primeiro sopro de ar, a primeira vez que vê o mundo e as suas coisas, o primeiro livro, o primeiro gozo… Não espere a virada de ano para fazer algo, comece já. E deixe que seu mundo comece e termine todos os dias, deixando que continue ao seu lado só o que merece verdadeiramente ser vivido.

Bem-vindo à vida!

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