Palavras

Caso perguntem a mim qual é a maior invenção da humanidade, falarei sem hesitar: são as palavras.

Elas me rodeiam diariamente, me seduzem, brincam com os meus pensamentos. Tomam forma ao sair da boca e se afinam ao deslizarem de forma macia em meus ouvidos. Podem ter o peso de uma interjeição ou a leveza de um discurso inflamado. Letras, que juntas, podem ser moldadas de acordo com a sua vontade.

Palavras são parte do meu ser, sem sombra de dúvidas. Quando unidas, formam ideias que consomem a minha alma, como um animal faminto, à espreita, querendo rasgar o mundo entre seus dentes. Sou escravo, cativo e submisso à elas. Necessito de frases de efeito para me completar e determinar cada um dos meus atos. Pois da palavra se fez o verbo. E dele, a ação. Ou a negação… Depende para quem for expor suas palavras, é claro.

O que seríamos de nós sem estas danadinhas? Qual seria a graça se não pudéssemos sentir as palavras tomarem forma em nossa mente e nascerem, levando nosso nome à posteridade ou ao esquecimento?

O coçar dos dedos antes de digitá-las, o som que começa a se formar na boca… Elas vem nascendo, crescendo, formando seu espaço, criando uma identidade particular e lúdica do nosso eu. As letras que passeiam pelo nosso corpo, transformando-nos em instrumentos, vibrando em nossa boca, como o ato final e supremo das nossas opiniões, dando vida aos pensamentos. Estas mesmas letras que dispersas, não tem sentido, mas quando se encontram, fundem-se em coisas únicas e novas.

Vê-las transcritas é um presente à parte. Deixar páginas e páginas serem absorvidas, brincando com a nossa imaginação. Somos testemunhas e criadores de um mundo completamente novo, regido por nossos devaneios mais insanos – e maravilhosos. Escrever abre as portas de um recanto sempre nosso, particular e íntimo. Elas escondem os nossos mais sagrados desejos e piores e profanos pecados.

Com elas somos o que quisermos

Podemos destruir ou seduzir com palavras. Quem não gosta daquela frase dita à meia voz, fazendo arrepiar a pele?! Ou explodir em ira, blasfemo, mandando-as aos gritos, em direção aos céus!

Mais que opinar, amedrontar ou seduzir, faço um uso meio egoísta das palavras. Quero liberar as rédeas do meu pensamento sem limites ou regras. Dizer o que penso sem medidas. Criar o que me der na telha, para maravilhar aos meus leitores tramas desenfreadas, prontas para divertir e entreter.

Agora, se passar por aqui é quiser dar aquela espiadinha… Seja bem-vindo se gostar! Quem sabe você se encontra nessas palavras. Ou se perde de vez?

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