Sobre mulheres e mães

Ela chega em casa depois de um dia de trabalho estressante e espera encontrar tudo organizado. Quem dera fosse verdade…

Já chega vendo a desordem que o marido deixou antes de sair e imagina mil e uma maneiras de matar sem deixar vestígios suas cachorras que reviraram a terra do jardim.

Quem dera conseguisse manter a ordem das coisas por onde andasse: os talheres limpos, as roupas dobradas, o feio e sujo longe dos seus olhos e as palavras desagradáveis longe dos seus ouvidos. Precisava fugir de tudo, escolher um cantinho no mundo que não desse vontade de chorar e pudesse mantê-lo como quisesse: prático, limpo e organizado. Asséptico, para deixar um hospital com inveja!

Só nos seus sonhos…

Só restava jogar-se na cama e descansar. Dormir para ver se os problemas se dissolviam. E que eles não ousassem entrar nos seus sonhos.

 

Acordou no outro dia se sentindo diferente. Percebendo o mundo a sua volta de uma forma mais linda, mais colorida. Mal sabia ela que o Amor mais puro havia se alojado dentro do seu corpo e dormia carinhosamente em seu ventre, ninado pelos seus passos.

Seu peito se abria para receber o mundo. Uma fome indescritível dominava o seu corpo. Não só de comida, mas de vida, riso e lágrimas. Intensidade e sensibilidade no extremo.

Mal sabia que em pouco tempo ia parar de reparar na roupa suja e coisas jogadas pelo chão (a não ser aqueles que as cachorras fariam). Choros e passinhos pela casa iam fazê-la sorrir em vez de irritar.

Teria Insanidade Atemporal, Lágrimas e Risos simultâneos, seguido de um nojo incontrolável das coisas mais banais. E o pior, é que amaria tudo isso.

Deixava de ser uma simples mulher. E sendo finalmente mãe, abraçaria o mundo que carrega dentro de si. E teria absoluta certeza que seu modo de ver a vida nunca mais seria a mesma.

 

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